Notícias

Que ‘armas’ servidor tem na ‘guerra da informação’ da reforma Administrativa?

28 de janeiro de 2020 · por sindsep-am · atualizado em 29 de janeiro de 2020
que-armas-servidor-tem-guerra-informacao-reforma-administrativa

Em viagem oficial a Nova Déli, na Índia, Bolsonaro disse que o governo precisa ganhar a “guerra da informação” sobre a reforma Administrativa. Para servidores, o diálogo com a sociedade que já enfrenta colapso no setor público deve ser foco principal.

Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay

Servidores públicos estão no meio de uma guerra. Pelo menos foi assim que o presidente Jair Bolsonaro se referiu a intenção do governo de aprovar a reforma Administrativa prevista para seguir ao Congresso Nacional em fevereiro. Em viagem oficial a Nova Déli, na Índia, Bolsonaro disse que o governo precisa ganhar a “guerra da informação” sobre a reforma. De um lado, servidores entram nesse embate com a vantagem de ter uma boa capacidade organizativa e de reação, mas a favor do governo existe um aparato grande de comunicação em massa que precisa ser encarado. O mercado, por sua vez, já se posicionou nesse ringue como adversário dos servidores e serviços públicos promovendo declarações de que vê com bons olhos congelamentos salariais de servidores e a redução do Estado. A permanente propaganda que aponta a categoria com muitos “privilégios” é outro grande desafio.

Então. Que armas tem o servidor nessa ‘guerra da informação? O foco central da categoria deve ser o diálogo com a sociedade, principal afetada pelos problemas ligados ao desmonte do Estado promovido desde a Emenda Constitucional (EC) 95/16, que congela investimentos públicos por pelo menos vinte anos e já mostra seus reflexos perversos, e que tem potencial para piorar com a reforma Administrativa. Não são só servidores, enfim, que serão prejudicados. Ao contrário, toda a população que depende e tem direito aos serviços públicos está ameaçada.

Estabilidade

Um dos assuntos que o governo mais explora na guerra da informação é o direito a estabilidade, direito que não é uma premiação para os maus servidores, destaca a Condsef/Fenadsef, mas uma proteção aos bons, aqueles que defendem os interesses do Estado e, portanto, da população. Concursos públicos também são a melhor maneira de contratação já que substituiram as famigeradas indicações políticas e os chamados trens da alegria. Servidores concursados são submetidos a uma série de deveres para com o Estado, devem respeitar inúmeras regras, comprovar renda regularmente para provar que não estão usando recursos públicos indevidamente, além de uma série de outras limitações.

Servidores não possuem direito a FGTS, contribuiem com percentuais maiores que os do Regime Geral (RGPS) e também não possuem direito a negociação coletiva o que os coloca em situação de maior vulnerabilidade em cenários como os de agora onde uma onda de ataques ameaça congelamento prolongado de salários. No Executivo, a maioria já está há três anos sem reajuste.

O número excessivo de servidores, muito usado pelo governo como justificativa para enxugar a máquina pública, é outro dado que também não corresponde a realidade do setor que enfrenta o desafio de atender uma população que cresce mais de um milhão de habitantes por ano enquanto o número de servidores permance mais ou menos o mesmo que o da década de 90. Com uma política de ataques e um projeto de desmonte acelerado em curso os reflexos negativos para o setor público estão se fazendo sentir.

O governo, como sabemos, está amparado por uma estrutura que garante divulgação em massa, o mercado está nesse time, e também a imprensa tradicional que em seus editoriais já se posicionou favorável à reforma Administrativa. Essas são fortes barricadas montadas pelos que têm interesse direto no desmonte do Estado. Mas, os colapsos que já começam a prejudicar milhões de brasileiros, como no INSS, na educação e outros setores, incluindo a Receita Federal, mostram que a falta de investimentos públicos, a onda de privatizações, o fim da estabilidade e a política de reduzir o tamanho do Estado são, ao fim e ao cabo, péssimos para toda a população que tem direito constitucional de acesso a serviços públicos.

Mobilização e unidade

Os desafios são enormes, mas não intransponíveis. Uma boa estratégia é essencial e extremamente importante. Nesse ringue a mobilização e a unidade dos servidores também seguirão fundamentais. Munidos de nossa capacidade organizativa, precisamos ampliar o diálogo com a sociedade, mas também buscar o apoio de parlamentares no Congresso Nacional onde a proposta deve ser apresentada. Vale destacar que a reforma Administrativa não deve alcançar magistrados e parlamentares. Há muita especulação em torno da matéria que deve ser fatiada no Congresso, outra estratégia nessa ‘guerra’ para dificultar a reação dos servidores. “Nossa força nesse embate está justamente em nossa capacidade de unir forças e estamos em trabalho permanente para enfrentar esses desafios”, pontuou Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Condsef/Fenadsef.

Já no dia 12 de fevereiro está agendado um round dessa luta. No auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, a Confederação se junta a centrais sindicais, incluindo a CUT, e outras entidades representativas dos servidores reunidas no Fonasefe. Além do combate à reforma Administrativa, a atividade convocada pela Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços Públicos também tem como destaque a defesa dos servidores e serviços públicos, contra as privatizações, em defesa das estatais e da soberania nacional.

Condsef/Fenadsef

Sindsep-AM