Não à tentativa de golpe institucional nas eleições
O bolsonarista André Mendonça, ministro do STF, tenta repetir, em 2026, o mesmo roteiro da operação Lava Jato. Em 2018, Sérgio Moro (PL-PR) utilizou o sistema de justiça para intervir no processo eleitoral brasileiro, e, oito meses depois, tornou-se Ministro da Justiça do candidato que ele beneficiou.
Em decorrência daquela intervenção golpista, o País enfrentou anos de retrocesso nas pautas da classe trabalhadora, destruição de políticas públicas, retirada de direitos pelas contrarreformas trabalhista, da previdência e privatizações. Nesse mesmo período, o Banco Master foi autorizado a funcionar e floresceu na gestão de Roberto Campos Neto, o primeiro presidente do Banco Central “autônomo” (Lei Complementar 179/2021) que adotou medidas de flexibilização do mercado em nome da “modernização”.
Se alguma autoridade, mancomunada com a podridão do capital financeiro, cometeu alguma irregularidade, que seja investigada como qualquer cidadão. Mas não é disso que se trata a esdrúxula decisão de afastar o Diretor e o Chefe da Inteligência da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Trata-se de uma clara tentativa de virar no tapetão o jogo das eleições. Tentativa que não prosperou porque outra decisão do STF já reintegrou ambos em suas funções. Por que eles incomodaram o Ministro André Mendonça? Seria porque foi o Diretor Andrei Rodrigues que conduziu a operação Carbono Oculto que atingiu os 40 fundos de investimento controlados pelo PCC na Faria Lima? Ou porque a Operação Compliance Zero, que investiga o Master, terá que chegar nos fundos de pensão do Rio de Janeiro e outros estados, atingindo amigos e aliados? E quanto a Leandro Almada, a insatisfação com ele seria porque foi esse delegado que se recusou a participar da operação que bloquearia o deslocamento de eleitores da região nordeste nas eleições de 2022?
Para a Condsef/Fenadsef, a presença de golpistas no topo das instituições, as indecentes emendas parlamentares, o caso Master e o avanço das máfias sobre a economia formal são demonstrações práticas de como a formação e a proteção das grandes fortunas no capitalismo brasileiro estão imbricadas com práticas imorais e criminosas sistemáticas, e com a corrosão deliberada dos mecanismos de controle público.
A conclusão é incontornável: somente uma reforma profunda nas instituições, a começar por uma reforma política radical, pode começar a passar o país a limpo.
Crimes financeiros da natureza e magnitude do Banco Master impõem o dever de investigações amplas da totalidade dos envolvidos que, não esqueçamos, inclui sobretudo a ação de governadores e presidentes de partidos políticos que abasteceram o buraco sem fundo do Master com bilhões de fundos de pensão de servidores de seus estados e municípios.
A Condsef/Fenadsef reafirma a defesa de uma reforma política profunda que permita a concretização das reivindicações dos servidores e empregados públicos e do conjunto da classe trabalhadora brasileira, como o auxílio-nutrição para aposentados e pensionistas, o fim das distorções salariais, a equiparação de benefícios entre os três poderes, o fim da escala 6×1, a reversão das privatizações, a revogação das contrarreformas trabalhista e previdenciária, o aumento do salário mínimo ao nível do calculado pelo Dieese, o fim dos privilégios no Judiciário e no Exército, o fim do arcabouço fiscal derrubando os juros que destinam R$ 1 trilhão por ano a rentistas e banqueiros, o fim das emendas parlamentares, a reforma agrária, a destinação de recursos para o financiamento de políticas públicas universais e de qualidade, a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas para financiar as despesas do Estado, entre outras medidas que deveriam estar ocupando o debate eleitoral.
Direção da Condsef/Fenadsef
Condsef/Fenadsef