Dieese reúne indicadores econômicos que registram o Brasil dos últimos 30 anos
Como mudou a vida dos trabalhadores brasileiros nas últimas três décadas? O que aconteceu com o emprego, o salário mínimo, a desigualdade, a inflação e o poder de compra? E como evoluíram o crescimento econômico, as contas públicas e as reservas internacionais do país?
Para ajudar a responder a essas e outras questões, o Dieese publicou a quarta edição anual da Síntese de Indicadores, reunindo séries históricas com gráficos que permitem acompanhar a evolução de importantes indicadores econômicos e sociais do Brasil entre 1995 e 2025.
O material foi elaborado para subsidiar dirigentes sindicais, trabalhadores e trabalhadoras e a população em geral com informações que contribuam para compreender as transformações ocorridas no país ao longo dos últimos 30 anos.
A publicação está organizada em três grandes partes: mercado de trabalho e condições de vida da população; crescimento econômico e evolução dos preços; e contas públicas e contas externas.
Trabalho e condições de vida
A primeira parte da Síntese reúne indicadores diretamente relacionados à realidade dos trabalhadores e da população. Entre eles estão a taxa de desemprego, o número de empregos formais, o salário mínimo real, a participação dos salários na renda nacional, os resultados das negociações coletivas, a desigualdade de renda e a insegurança alimentar.
O salário mínimo real, por exemplo, permite observar a evolução do poder de compra ao longo do tempo, descontando o efeito da inflação. O Dieese destaca que aumentos reais do salário mínimo contribuem para a redução das desigualdades e para uma melhor distribuição da renda.
A Síntese também acompanha o desempenho das negociações coletivas. A obtenção de aumentos reais pelos trabalhadores é um dos indicadores da capacidade de recuperação do poder de compra dos salários nas negociações entre sindicatos e empregadores.
Crescimento econômico, inflação e indústria
Na segunda parte, a Síntese analisa o desempenho da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) aparece em série histórica para mostrar a evolução do volume de riqueza produzido pelo país, descontada a inflação.
Outro indicador analisado são os investimentos públicos em ciência e tecnologia. Para o Dieese, a capacidade de inovar é fundamental para o desenvolvimento econômico e social e está relacionada também à geração de empregos de maior qualidade.
Juros, dívida pública e o orçamento da União
Um dos pontos acompanhados pela Síntese é a evolução da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. O nível dos juros influencia o custo do crédito, os investimentos, o consumo e outros preços da economia.
O Dieese também acompanha as despesas com juros da dívida pública, que alcançam valores muito elevados. A publicação chama atenção para a importância de observar o custo financeiro associado a ela e seus impactos sobre o orçamento público.
Entre os indicadores apresentados está ainda a evolução das despesas da União com pessoal e encargos, que incluem a remuneração e os encargos sociais de servidores estatutários, militares e outros trabalhadores do governo federal.
Onde estão os recursos do orçamento?
A Condsef/Fenadsef destaca a relação entre dívida pública e despesas de pessoal. Para a entidade, os dados divulgados na síntese do Dieese ajudam a revelar e voltam a desmascarar aqueles que defendem o mito neoliberal do Estado “inchado”
Esse debate precisa ser tratado com mais transparência, especialmente quando o discurso de austeridade fiscal é usado para justificar limites aos investimentos públicos, à valorização dos servidores e à recomposição dos serviços prestados à população.
Os dados históricos mostram que as despesas da União com pessoal e encargos permaneceram relativamente controladas em relação ao PIB ao longo das últimas décadas. Isso é especialmente importante diante do discurso recorrente de que os servidores seriam responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas.
De um lado, estão os juros e encargos da dívida pública, que transferem enormes volumes de recursos para os detentores de títulos. De outro, estão as despesas com pessoal da União, que incluem a remuneração e os encargos de servidores públicos responsáveis por manter áreas essenciais do Estado funcionando.
A comparação ajuda a colocar o debate fiscal em perspectiva. Quando se fala em necessidade de controlar os gastos públicos, é fundamental perguntar quais gastos estão sendo controlados e quais continuam crescendo.
Para a Condsef/Fenadsef, portanto, é necessário trazer luz para a relação entre dívida pública, juros e gastos sociais. Não é possível discutir austeridade olhando apenas para as despesas que mantêm o Estado funcionando, enquanto centenas de bilhões de reais são destinados ao custo financeiro da dívida e lucro de grandes rentistas e especuladores financeiros.
Os números ajudam a questionar a ideia de que o país simplesmente não teria recursos para investir na recuperação dos serviços públicos, recompor quadros de servidores, melhorar salários e ampliar políticas sociais.
Para a Condsef/Fenadsef, colocar esses números lado a lado é fundamental para qualificar o debate público. A defesa do equilíbrio das contas públicas é cortina de fumaça para rentistas e banqueiros imporem a redução do Estado e a precarização dos serviços oferecidos à população trabalhadora. Enquanto isso, o custo financeiro da dívida continua consumindo uma parcela gigantesca dos recursos públicos.
Por isso, seguiremos no enfrentamento direto às políticas de austeridade, ao arcabouço fiscal e defendendo investimento público que assegure a presença dos servidores e serviços públicos no orçamento da União.
Condsef/Fenadsef