
No Dia Internacional da Mulher, o Sindsep-AM destaca a trajetória daquelas que ajudaram a construir o sindicato desde sua fundação e que seguem firmes na defesa dos direitos dos servidores públicos. A presença feminina sempre esteve ligada às mobilizações, às greves e ao trabalho de base nos municípios mais distantes do Amazonas.
“A participação de nós, mulheres, foi fundamental desde a criação do sindicato. Nós estivemos presentes em todos os movimentos, em todas as lutas. Nas greves, nas manifestações públicas, nos congressos e na luta corpo a corpo, indo para as bases e filiando servidores”, relembra a diretora e cofundadora Geralda de Souza Oliveira.
O sindicato foi fundado oficialmente em 26 de setembro de 1992, mas os servidores já vinham de lutas importantes por melhores condições de trabalho desde os anos 80. Um exemplo foi o papel da Federação dos Trabalhadores do Ministério da Saúde (FETRAMS) de concentrar as mobilizações, à época. Nesse processo de organização da categoria, as mulheres tiveram papel decisivo na mobilização de pessoal para fortalecer a base sindical.

“Quem é do nosso estado sabe como é difícil alcançar os municípios. Nós íamos de município em município, de canoa, de barco, filiando os servidores que se encontravam nos lugares mais longínquos. Eu, como mulher, estive nessa luta, assim como outras companheiras”, afirma Geralda.
Neste trabalho direto com a base, também foi essencial a articulação liderada por mulheres nos municípios do Amazonas. Alguns exemplos são as servidoras Maria Auxiliadora Lima e Celeste Leite da Silva, de Tefé, e Rita Maria das Graças Silva, de Itacoatiara.
Protagonistas da luta
Ao lembrar dessa trajetória, Geralda também destaca outras mulheres que marcaram a construção do sindicato. Entre elas, faz questão de citar Glória, servidora e pesquisadora do Inpa, cuja atuação foi essencial no processo de criação da entidade.
“A Glória foi fundamental em todo esse processo de criação do sindicato. Era uma mulher destemida, que ia para a luta e ensinou muito quem estava começando. Eu me espelhei na coragem e na bravura dela. Esse sindicato jamais pode esquecer o nome da Glória”, destaca Geralda.
A primeira diretoria da então Associação dos Servidores da Sucam, que posteriormente daria origem ao Sindsep-AM, também contou com a presença de mulheres de luta. Como tesoureira, assumiu Cátia Freire Mendonça e, como primeira secretária, a servidora Maria Nazaré Pessoa.
A luta continua
A mobilização das mulheres no serviço público, por meio do Sindsep-AM, segue viva também na nova geração. Um dos exemplos é a servidora do Iphan Carlúzi Mattos, uma das lideranças da mobilização em defesa de um plano de carreira para os trabalhadores da cultura.

“Ingressei no Sindsep-AM motivada pela pauta de luta de mais de 20 anos pelo plano de carreira dos servidores federais da cultura, ainda inexistente. Dentre os diversos episódios da presença feminina nesse processo estão as ações de paralisação, manifestações e falas em diversos seguimentos, imprensa, legislativo, dentre outros, fundamentais para a conquista alcançada pela categoria da presença no PL das Carreiras, atualmente tramitando no Senado, o que ainda é ínfimo por não ser o plano de carreira, mas representativo frente a tantos anos de insucessos.”
‘Não queremos flores’
Margareth Buzaglo, diretora da assessoria jurídica do Sindsep-AM, reforça que o 8 de março vai além de homenagens e flores: é um dia de memória, história e resistência.
“O Dia Internacional da Mulher não é só comemoração. É memória, é história e é luta. Nós temos nosso lugar, nosso espaço e nossa presença em todas as partes da existência humana: no trabalho, na vida social e na vida familiar”, afirma.
Para ela, a data também é um chamado para que as mulheres ocupem seus espaços sem pedir permissão e sem aceitar retrocessos. A luta sindical, nesse sentido, faz parte do mesmo movimento que busca igualdade e respeito em toda a sociedade.
“Não é uma data de flores. Ninguém permitiu que a gente estivesse aqui: nós sempre estivemos. Que nunca tirem a nossa voz e a nossa importância. Que seja sempre um dia de presença, de resistência e de luta”, conclui.
Ascom/Sindsep-AM