
Cinco agentes do Ibama foram atacados por cerca de 30 pessoas durante operação de combate à extração ilegal de madeira na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, em Manicoré, no sul do Amazonas, no último sábado (15). O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas (Sindsep-AM) se solidarizou com as vítimas e defendeu que o instituto passe a ser acompanhado pela Polícia Federal ou pelo Exército nas operações realizadas na região.
“Toda a nossa solidariedade aos companheiros de luta do Ibama e de todos os órgãos da área ambiental. Defendemos que o Ibama seja acompanhado nessas operações na Amazônia pela Polícia Federal, ou então pelo Exército”, afirma o secretário-geral do Sindsep-AM, Water Matos.
Os agentes foram agredidos e tiveram o veículo incendiado. Ninguém ficou ferido. Os fiscais atuavam em ramais clandestinos de uma área que vem sendo alvo sistemático de invasões, desmatamento e retirada ilegal de recursos florestais. A ocorrência foi registrada na Polícia Federal, que já identificou parte dos envolvidos.
O sindicato também cobrou punição para os responsáveis pelo ataque. “Nós precisamos condenar e pedir que o Ministério da Justiça aja de forma veemente para que os assassinos do meio ambiente sejam presos, sejam condenados e não fiquem impunes”, disse Matos.
Quadro precário
O Sindsep-AM apontou ainda a falta de servidores efetivos no Ibama como fator agravante. “O Ibama tem pouco concurso público, tem pouco trabalhador”, afirmou Walter Matos. Ele lembrou que a categoria realizou uma greve histórica em 2024 e tem feito novas mobilizações para melhores condições de trabalho, mas a recomposição do quadro continua insuficiente.
A Condsef/Fenadsef reforçou a mesma demanda. Para a confederação, fortalecer os quadros do Ibama por meio de concursos públicos é condição essencial para que as políticas ambientais sejam executadas com efetividade.
Contexto
O instituto informou que a madeira extraída ilegalmente da terra indígena é escoada pela Vila Santo Antônio do Matupi, no km 180 da rodovia Transamazônica, e “esquentada” por meio de planos de manejo florestal fraudados. Estimativas do próprio Ibama indicam que mais de 60% da exploração de madeira no Amazonas apresenta indícios de ilegalidade.
O ataque em Manicoré ocorreu na mesma semana em que cinco pessoas foram condenadas pela Justiça pela destruição de uma aeronave do Ibama em Manaus, em 2021. O instituto reafirmou que “atos de violência contra a fiscalização ambiental não ficarão impunes” e informou que seguirá atuando em articulação com os órgãos de segurança pública.
Ascom/Sindsep-AM